segunda-feira, 6 de julho de 2009

Uma música pra vida.


Quando criei aqui no blog o post semanal chamado BG da semana, não foi por acaso. Foi muito bem fundamentado, e eu só cheguei a conclusão da razão desse post hoje, duas semanas depois de entrar em ação.

Estava no Setúbal – Conde da Boa vista, voltando para o Centro do Recife. Caía muita chuva lá fora e um calor infernal dentro do ônibus. Como era um da frota antiga, não tinha um som tocando, sequer um caixinha miúdo ou radinho de pilha que democratizasse algum ruído para os passageiros.

Creio que, afora eu, ninguém se preocupou com tal casualidade, senão com a forte chuva lá fora. Eu, com minha santa paciência, contei 15 pessoas ouvindo um MP3, Ipod ou até mesmo o som do celular, já que a tecnologia com seu avanço permitem isso.

Além de contar a turma que estava ouvindo um som, passei a imaginar o que rolava naqueles fones de ouvido. Se era uma MPB, um brega. Se tocava algum rock da pesada, ou rock indie contemporâneo.

O busão já cruzava a ponte giratória, logo mais eu iria descer. Passei a me perguntar por que as pessoas, hoje, necessitam tanto de um MP3 rolando. Nas ruas, nos bares, nos ônibus, cada um tem seu aparelho a tira colo, com sua seleção predileta, seja ela homogênea ou bem variada, tocando aleatoriamente qualquer canção que marque o dia.

Chego à conclusão que o MP3 tornou-se aquele objeto responsável por dar o tom dessas nossas vidas. É como se fosse uma cena de cinema, que a cada esquina pode mudar o seu destino quando o Ipod muda de faixa. Eles, pequeninos como são, fazem a música pra vida.


sexta-feira, 3 de julho de 2009

Repórter do CQC é agredido no Senado


Eu tava demorando pra falar sobre os problemas que envolvem o Senado Federal. Na verdade, eu tava querendo me distanciar um pouco desses textos estritamente políticos, destrinchados nos verbos mais revoltados e insatisfeitos que posso expressar aqui nesse blog. No “Outros Pontos”, blog que mantive ano passado, era freqüente minhas análises serem direcionadas a política. Esse ano eu venho assumindo uma postura mais discreta quanto a esse lado mais político, embora seja difícil, muito difícil não falar nada e ficar omisso a tanta coisa.

Essa semana um repórter do CQC, programa de jornalismo-humorístico da rede Bandeirantes de Televisão, foi agredido por seguranças do Senador e Presidente da Casa parlamentar, José Sarney, do PMDB do Amapá, enquanto tentava uma entrevista. No momento em que Sarney descia do carro, como sempre acontece, todos os repórteres tentaram ouvir uma explicação do Senador sobre as acusações – fundamentas – contra ele de corrupção, nepotismo e, mais ainda, de assinar atos secretos no Senado Federal. Danilo Gentili, repórter do CQC, era um entre os jornalistas que tentavam uma entrevista, mas acabou sendo vítima do nervosismo, truculência, falta de ética e responsabilidade dos que compõe a instituição Federal. Gentili foi empurrado, impedido de fazer seu trabalho, que é sério e competente.

Segundo afirmações do jornalista da Band, não havia motivos para tal situação. “Nem chegar perto do Sarney eu cheguei, estava apenas fazendo meu trabalho”, afirmou Danilo. A Polícia Legislativa, responsável pela segurança do Senado, recebeu as imagens do ocorrido e atestou que não houve uma agreção propriamente dita, mesmo as imagens mostrando que Danilo, por duas vezes, foi interceptado por homens que não pertencem à casa legislativa.

Não é a primeira vez que Senadores perambulam pelos corredores da casa acompanhados por “Seguranças”, que na verdade deveriam receber o nome de jagunços. Se não andam “bem acompanhados”, tratam a imprensa com desdém,como foi o caso de José Genoíno, do PT. Opa, a verdadeira imprensa. Esse caso não é novidade para a turma do CQC, que faz um jornalismo extrovertido e entra no meio político sempre que necessário. A postura ácida e sempre ao lado da verdade, utilizada pelo CQC em suas coberturas, tem ferido um pouco o calo dos Senadores que temem as perguntas do programa.

Atos Secretos, Nepotismo, negociatas e muito mais. Esses temas, sim, fazem parte da casa legislativa responsável por analisar e tocar em frente o interesse da nação e do povo brasileiro e fazem com que esses “intelectuais ao avesso” tenham medo da Mídia coesa e íntegra. Como disse o jornalista Boechat, da Band: “O Senado tem a segurança que merece”. Eu vou falar mais sobre isso. Aguardem. É só o começo.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Confraria do povão II


Fazia tempo que eu não passava na mercearia de Nilo. Embora seja fictícia, amigos, digo-lhes que a Confraria do Povão, aqui criada, é uma miscigenação de tantas outras que residem por aí e da cultura zona-oestina. Ontem mesmo, aproveitei o tempo livre e passei por lá. Descobri muita coisa, inclusive a reforma que seu Nilo criou onde será um espaço dedicado aos produtos veterinários. Está lá, bem postada, bonitona toda. Ele tem um bom gosto. Fui entrando timidamente e encontrei um Nilo atarefado, limpando o mostruário e ouvindo Amado Batista em seu rádio maravilhoso que sobrevive há séculos em cima daquela estante. Quando me vê entrando, vai logo abrindo um sorriso e sai de trás do balcão para me dar um caloroso abraço.


-Nunca mais apareceu, rapaz. Como anda a vida?
- Falta tempo, amigo. Mas vou levando tudo na paz.
- Sei... É o mesmo argumento. Sempre os melhores frequentadores alegam isso.
- Deixe disso, rapaz.. -

Nilo abriu um sorriso carinhoso, voltou para o seu serviço, enquanto eu me equilibrava na cadeira que fazia fila com outras três em frente do meu querido amigo.

- Vai de quê?- disse Nilo.
- Um café, para despertar dessa maresia.

O velho relógio QuartZ marcava 11h50 e tava perto de começar o jornal da Tv. O dono do estabelecimento gosta de ver os programas policialescos, e eu sempre tento o conscientizar para ver outros canais. Mas ele sempre diz que é preciso ver para saber o que acontece. A realidade do povo está ali. Eu acabo não concordando e ele permanece vendo os destaques do IML, os boletins de ocorrência. Antes de dar atenção à Tv, fico observando os quadros na parede e vejo que tem muita história para contar. Tem foto do clube Inter do 15, time que Nilo jogou na adolescência, 45 anos atrás. Tem foto de um Recife antigo, lá pelos ventos dos anos 80.

- Eita, tempo bom, não?
-Verdade. Tempo em que menino jogava bola, peão, empinava pipa, gostava de bola de Gude.
- O que mudou, hein?
- Muita coisa, home. Os meninos só querem saber de safadeza. Tudinho aí com 15,16 anos já tão com bucho. É culpa da Tv, que fica mostrando Safadeza a qualquer hora. Já pensou?
- O, Nilo. Tu ainda guarda essa foto aqui?
- Mas, vou perder?
- Poeta Alberto...Quando eu trouxe ele aqui, trabalhava no Diário. Época boa.

Dei mais um gole relembrando da época onde eu passava imensos domingos dentro daquela redação ouvindo o toca fita de Severino Maia tocando Altemar Dutra, as baforadas do cachimbo de Helô Lucena - grande jornalista de economia - e eu ficava esperando qualquer informação de um posto policial para dar destaque no jornal de segunda. Lembro o dia que Frei Damião morreu e foi aquela agonia. Os tic tacs não pararam nem tão cedo. Claro que também passei ociosas tardes naquele recinto, muitas vezes escrevendo cartas aos amigos. Mas agora volto à realidade quando um rapaz entra apavorado, pedindo uma cerveja a Nilo.

- Nilo, uma Antártica bem gelada, tipo aquela que você guardou para Dona Izaura.
- Primeiro, Izaura não bebe. Segundo, aqui só tem gelada, deixe de pressa.
- Mas rapaz, pense numa agonia tá o Recife. É carreata vermelha pra tudo que é lado.
- Vixe, rapaz. Nem me fala. Esse ano nem votar eu fui.
- Mai, mai, Por que, Nilo? Que conversa é essa?
- Eu mermo não vou votar em cabra fela-putista e ladrão. Tás louco? De dois em dois anos é o mesmo converseiro, e o povo se lascando.
- Deixe me intrometer, colegas...
- Diga..
-Eu concordo com o Nilo. A gente já não sei há quanto tempo tá votando e nada se muda. Temos que nos ausentar, senão vamos ser cúmplices da safadeza. Ter preferência partidária, hoje em dia, é como tu ver tua casa ser assaltada e não fazer nada. Mas há de ser ver também que não é somente se ausentar, tem que trabalhar e lutar por uma causa justa de mudança no país.
- É verdade...Desce outra aqui pro amigo.
- Não, não bebo.Um café mesmo, Nilo.
- Pronto, um café.
- Olhe, aqui está. Se to dizendo, rapaz, é porque eu sei. Só tem safadeza nessa política.

Nilo tinha uma força argumentativa muito forte, talvez experiência de comerciante, mas nessa ele tinha total razão. Embora que com muita arrogância, tinha a verdade na ponta lingua, e não hesitava em falar. Nilo me ganhou como amigo na eleição de Jarbas, em 1998. Eu tinha votado em Arraes. Lembro que Nilo ficou contente que só com a minha intenção, afinal era um defensor de Miguel Arraes até o fim. Mas depois que viu o resultado, fechou por uma semana a venda.

Eu trabalhava ainda no Diário, porém na editoria de política, e Nilo leu minha matéria falando de Jarbas, exaltando sua vitória e grande desempenho nas urnas. Quando cheguei lá, ele disse-me: você tá com muita conversa por lado de lá. Fechou cara e só ficou tranqüilo depois que eu expliquei a ele que tudo aquilo era uma força do trabalho. 10 anos se passaram e hoje eu vejo um Nilo autêntico, fervoroso na política e super crítico, com uma força revoltada muito grande eJustificar sem expectativa no processo eleitoral. Ele é o verdadeiro retrato do povo de Recife, porém em pequeno número.

E já começando a tardinha, resolvi sair da Mercearia e voltar para casa. Já tava na hora de dormir aquele cochilinho da tarde, num balançar da rede, para depois voltar ao dia, lá pelo fim da tarde. Depois de uma boa conversa sobre o progresso e a política do Recife, lá vai pela rua da Zona Oeste um nobre admirador da prosa alheia, onde engorda-se com quilos de conhecimento em pequenas porções de simplicidade.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

BG da semana

Ela faz música mulata brasileira

Misturando um Erudito escondido com um Samba exposto, passando pelo suingue tropical do merengue, Lívia Lucas faz um som daqueles “a cara e a careta” do Brasil

O BG dessa semana viaja até Minas Gerais para trazer a bela cantora Lívia Lucas. Natural de Juiz de Fora, Lívia lançou seu primeiro disco em 2007 prometendo fazer um som mais elástico, abordando outros ritmos, como o jazz e o merengue, sem deixar de lado a sua raiz que é o samba.

A própria cantora diz a marca do seu disco, um trabalho cheio de retrato de influências musicais. “São muitos cantando através da minha voz. São meus queridos compositores que acreditaram nesse novo e inédito trabalho” O cd Canto de Casa faz um balanço do bom samba, inteligentemente tocado na maior perfeição. As notas de um samba de violão se encaixam na voz de Lívia.

Aos 13 anos, a mineirinha entrou no Conservatório de Música clássica e, aos 19 anos, já encarava o mundo profissional da música tocando nos grandes bares e casas de shows de Belo Horizonte. Participou de espetáculos musicais, como Música Mulata Brasileira, que rodou o país em 2005 fazendo grande sucesso.

A música de Lívia é interessante em toda sua composição: a letra, uma poesia que retrata um cotidiano natural das cidades do interior do país marcadas pelas feiras. A música é plural no sentido técnico. Traz uma mistura do balanço do samba com um som legal dos metais, lembrando grandes orquestras. O crítico em música, Nelson Motta, disse que os metais das canções de Lívia “nos remetem à Vitória Régia”, orquestra que acompanhava o Síndico Tim Maia.

O BG dessa semana traz Lívia Lucas como destaque, com a música A Feira. Aumenta o volume, simpatia!